Inteligência Artificial revela que o buraco negro da Via Láctea gira quase na velocidade máxima permitida

Uma descoberta recente publicada na revista Astronomy & Astrophysics revelou que o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea, conhecido como Sagittarius A*, está girando em uma velocidade próxima ao limite máximo permitido pelas leis da física. A revelação só foi possível por meio do uso de uma rede neural artificial alimentada com milhões de simulações computacionais, representando um avanço significativo na convergência entre astrofísica e inteligência artificial.
Como foi feita a descoberta
O estudo foi liderado por Michael Janssen, da Universidade Radboud, nos Países Baixos. A equipe utilizou uma rede neural bayesiana treinada com milhões de conjuntos de dados sintéticos — gerados por simulações de diferentes cenários de buracos negros — para extrair informações ocultas nos dados do Event Horizon Telescope (EHT). Diferente das análises anteriores, que se baseavam em poucos conjuntos de dados simulados, este novo método permitiu uma comparação estatística mais robusta entre os dados reais e os modelos físicos.
O que foi descoberto sobre Sagittarius A*
A partir da análise com inteligência artificial, os cientistas concluíram que:
- Sagittarius A* apresenta rotação em velocidade próxima ao limite previsto pela relatividade geral;
- Seu eixo de rotação está orientado em direção à Terra;
- O brilho ao redor do buraco negro é gerado por elétrons extremamente aquecidos em seu disco de acreção, e não por jatos relativísticos como era frequentemente assumido;
- Os campos magnéticos do disco de acreção se comportam de forma inesperada, desafiando modelos teóricos atuais.
Resultados também aplicados a M87*
Além de Sagittarius A*, o estudo também investigou o buraco negro M87*, cuja imagem foi divulgada pela primeira vez em 2019. A análise mostrou que esse buraco negro também possui alta rotação, mas gira em sentido contrário ao fluxo de gás que o alimenta. Os pesquisadores sugerem que essa característica pode ser consequência de uma fusão galáctica ocorrida no passado.
Escala computacional sem precedentes
O sucesso do projeto dependeu de uma infraestrutura computacional distribuída e altamente especializada. Foram utilizados serviços como CyVerse para armazenamento de dados, OSG OS Pool para computação em larga escala, Pegasus para gerenciamento de workflows científicos, e bibliotecas como TensorFlow e Horovod para o treinamento das redes neurais. Esse ecossistema permitiu a geração e análise de milhões de arquivos simulados de forma eficiente e precisa.
Perspectivas futuras
O próximo passo da equipe será integrar dados do Africa Millimeter Telescope, atualmente em construção. Este novo observatório ampliará a rede de observação global do EHT, possibilitando uma análise ainda mais refinada de buracos negros e um teste mais rigoroso das previsões da teoria da relatividade geral de Einstein.
A integração entre inteligência artificial e astrofísica está abrindo novas possibilidades para estudar fenômenos extremos no universo. O que antes era considerado inacessível agora começa a ser explorado com ferramentas computacionais avançadas, capazes de revelar os mecanismos internos dos buracos negros com precisão sem precedentes.


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