Edwar Montenegro, como orientador, alcança o primeiro lugar regional da OBSAT pela terceira edição consecutiva, trabalhando com equipes diferentes em cada competição.

A equipe IDBSaT, orientada pelo professor Edwar Montenegro, conquistou o primeiro lugar na categoria Nível 1, destinada aos estudantes do Ensino Fundamental II, durante a etapa regional da terceira edição da Olimpíada Brasileira de Satélites — OBSAT.
Realizada em São Luís, no Maranhão, a etapa reuniu equipes das regiões Norte e Nordeste para a apresentação e a avaliação presencial dos projetos de satélites educacionais desenvolvidos ao longo da competição.
Formada por alunas do 7º e do 8º ano do Ensino Fundamental, a equipe apresentou um CanSat desenvolvido para coletar, processar, armazenar e transmitir dados ambientais e atmosféricos.
O resultado possui um significado especial para a trajetória de Edwar Montenegro. Esta é a terceira edição consecutiva da OBSAT em que uma equipe sob sua orientação técnica conquista o primeiro lugar regional.
As equipes vencedoras não são as mesmas. Em cada edição da olimpíada, o professor trabalhou com novos estudantes, vinculados a diferentes instituições de ensino, entre escolas públicas e privadas. Cada grupo desenvolveu sua própria proposta, enfrentou desafios técnicos específicos e percorreu uma trajetória independente de preparação.
O elemento comum entre as três conquistas é o trabalho de orientação, treinamento e acompanhamento técnico realizado por Montenegro. Desde a primeira edição da Olimpíada Brasileira de Satélites, todas as equipes preparadas por ele para a etapa regional conquistaram o primeiro lugar em suas respectivas categorias.
Segundo levantamento realizado a partir dos resultados das três edições da competição, Edwar Montenegro é o primeiro professor orientador a conquistar o primeiro lugar regional da OBSAT em três edições consecutivas, trabalhando, em cada uma delas, com equipes diferentes.
Um satélite construído por estudantes do Ensino Fundamental
O projeto apresentado na competição é um CanSat, uma plataforma educacional que reúne os principais sistemas de um pequeno satélite em uma estrutura compacta, tradicionalmente limitada a dimensões semelhantes às de uma lata de bebida.
O termo CanSat resulta da união das palavras inglesas can, que significa “lata”, e satellite, “satélite”. Embora o equipamento não seja colocado em órbita, sua construção permite reproduzir, em escala educacional, diferentes etapas de uma missão aeroespacial.
Durante o desenvolvimento do projeto, os estudantes precisam definir os objetivos científicos da missão, selecionar os componentes eletrônicos, montar os circuitos, programar o computador de bordo, integrar e calibrar os sensores, executar testes, identificar falhas e analisar os dados obtidos.
O IDBSaT utiliza um microcontrolador ESP32 integrado a diferentes sensores e módulos eletrônicos. O sistema foi desenvolvido para registrar informações como temperatura, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, altitude estimada, qualidade do ar, localização geográfica e nível de bateria.
Os dados coletados são processados pelo computador de bordo, armazenados em cartão de memória e organizados para transmissão ao sistema de acompanhamento da missão. O projeto articula conhecimentos de Física, Matemática, Ciências, Programação, Eletrônica, Engenharia, Geografia e análise de dados.
Durante a preparação para a competição, as estudantes participaram das etapas de montagem, programação, testes dos sensores, identificação de falhas, elaboração do relatório técnico e organização da apresentação realizada diante dos avaliadores.
O trabalho do técnico e orientador
Como técnico da equipe, Edwar Montenegro foi responsável pelo planejamento das atividades, pela orientação científica, pela organização dos testes e pelo acompanhamento do desenvolvimento eletrônico e computacional do CanSat.
Seu trabalho também envolveu a preparação das estudantes para apresentar os objetivos da missão, demonstrar o funcionamento dos componentes utilizados e responder às perguntas formuladas pelos avaliadores durante a etapa regional.
“O objetivo não é apenas construir um equipamento que funcione, mas fazer com que as estudantes compreendam o papel de cada sensor, saibam interpretar os dados e consigam explicar as decisões tomadas durante o desenvolvimento do projeto.”
Edwar Montenegro
A nova conquista demonstra que a formação de equipes competitivas não depende da permanência dos mesmos estudantes. Ela também está associada à existência de uma metodologia de orientação capaz de formar novos grupos, transmitir conhecimentos e desenvolver competências científicas em diferentes gerações de alunos.
Ao trabalhar com equipes distintas em cada edição, Montenegro precisou reiniciar o processo de formação, apresentar os fundamentos da tecnologia espacial a novos participantes e desenvolver diferentes protótipos, considerando a realidade, o nível de experiência e as características de cada grupo.
Trajetória nacional em satélites e inteligência artificial
A experiência de Edwar Montenegro na orientação de projetos relacionados às tecnologias espaciais começou antes das atuais edições da Olimpíada Brasileira de Satélites.
Durante a 17ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia — SNCT, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, uma equipe orientada por ele conquistou o primeiro lugar nacional no Desafio de Satélites e Inteligência Artificial.
Na ocasião, os estudantes apresentaram uma proposta baseada na utilização conjunta de satélites e inteligência artificial para auxiliar na identificação de queimadas e do desmatamento ilegal no território brasileiro.
A premiação nacional contribuiu para consolidar uma trajetória de formação científica fundamentada na aplicação de tecnologias espaciais, programação e inteligência artificial à resolução de problemas ambientais e sociais.
Desde então, diferentes equipes orientadas por Montenegro têm participado de competições científicas e tecnológicas, alcançando resultados de destaque em âmbito regional e nacional.
Três edições, três equipes e três primeiros lugares
A conquista da equipe IDBSaT dá continuidade a uma sequência iniciada na primeira edição da Olimpíada Brasileira de Satélites.
Em cada edição, Edwar Montenegro trabalhou com uma equipe diferente, formada por novos estudantes e vinculada a diferentes instituições de ensino, entre escolas públicas e privadas. Novos participantes precisaram ser preparados, novos protótipos foram desenvolvidos e diferentes desafios surgiram durante a construção, a programação e os testes dos equipamentos.
Apesar dessas mudanças, as três equipes orientadas por Montenegro conquistaram o primeiro lugar em suas respectivas etapas regionais.
O resultado representa mais do que uma sequência de premiações. Ele evidencia a consolidação de um trabalho contínuo de iniciação científica e tecnológica desenvolvido com estudantes da Educação Básica.
A vitória da equipe IDBSaT demonstra que estudantes do 7º e do 8º ano podem compreender e desenvolver tecnologias relacionadas a satélites, sensores, telemetria, programação e análise de dados quando recebem orientação técnica, oportunidades de experimentação e participação efetiva em todas as etapas do projeto.
Mais do que reconhecer um único protótipo, o primeiro lugar regional valoriza uma trajetória de formação de novas equipes e de novos estudantes. As três conquistas mostram que a educação científica pode produzir resultados consistentes quando é desenvolvida como um processo permanente, fundamentado em pesquisa, experimentação, autonomia e continuidade.

